E como fica LES-TRA com o SAP S/4HANA?

Luciana Carvalho de Brito • August 31, 2022

Uma dúvida frequente que tem sido pauta nos corredores onde é utilizado o SAP ECC é: como fica o LES-TRA com a migração do SAP ECC para S/4 Hana?

A dúvida deve-se ao anúncio da SAP, no ano de 2014, que o LES-TRA não está entre as preocupações da nova arquitetura S/4 Hana e, segundo a própria, a previsão de encerrar o ciclo desse módulo é em 2030.  


O que explica o motivo pelo qual leva a SAP a descontinuar esse módulo está relacionado à nova tecnologia aplicada no ERP S/4 HANA, que lança mão do poder computacional in-memory para processar grandes volumes de dados, o que habilita o software corporativo para tecnologias avançadas como maching learning e big data.


Tendo essa base tecnológica e priorizando harmonizar e simplificar os processos comuns, a meta da SAP era ter um aplicativo para recursos semelhantes, deixando de ter a execução de frete no LES-TRA; e por meio de novos recursos, a SAP otimiza o SAP S/4HANA Supply Chain para cobrir também todos os processos de transporte. Para saber mais sobre os aplicativos que compõem o gerenciamento da cadeia de suprimentos da SAP, vide o artigo da LIT: Soluções de Gerenciamento de Logística da Cadeia de Suprimentos da SAP (litsolutions.com.br)


Importante dizer que não trata-se de substituir um módulo por uma nova solução. O TMS da SAP é uma solução que foi lançada em 1987, a princípio incorporada ao ECC que por motivo de performance foi separada do ERP, mas com o Hana a solução foi novamente incorporada. O LES-TRA é o módulo do SAP ECC para gestão de transporte voltada para o cenário do embarcador, para quem compra frete, enquanto o TMS é uma solução capaz de gerir toda a cadeia do transporte, seja embarcador, transportador ou operador logístico.


Portanto, no caso do módulo LES-TRA, não se trata de uma migração de versão, mas, para as empresas que utilizam esse módulo, trata-se de uma implementação do TM, e para isso a SAP oferece duas opções, o TMS imbedded/incorporado ao ERP s/4 Hana, e a opção de implementar essa ferramenta isolada, sidecar, este último ainda nos modelos on-premise, cloud private ou public.  


Compreendido o futuro do LES-TRA, é hora de implementar/configurar o TMS. Inicialmente, no entanto, é preciso definir qual a arquitetura adotar, assim como a licença a ser utilizada, uma vez que a cadeia de suprimentos para a gestão de transporte abrange várias funcionalidades, motivo pelo qual a SAP disponibiliza dois tipos de licenças, a básica e avançada. 

Sobre arquitetura

Como dito o TMS da SAP está incorporado no S/4 Hana, conhecido como imbedded, ou pode ser instalado para ser executado em paralelo ao ERP, modelo conhecido como standalone ou sidecar. Na opção sidecar ainda é possível fazer opção entre on-premise, cloud private ou public.

A definição sobre qual modelo utilizar depende de diferentes fatores de diferentes naturezas relacionados às empresas. Independente disso, as opções disponíveis de implementação para o TMS oferecidas pela SAP viabilizam distintos cenários de projetos.

Talvez a mais encontrada dessas opções seja a necessidade de implementar o TMS antes da migração do ERP para o S/4 Hana. Dada a possiblidade de implementar em paralelo à solução e tendo o TMS facilitadores para a integração com ERP`s, é possível fazê-lo integrado ao ERP, sem a dependência do projeto de migração do ERP. Este é apenas um exemplo, e como dito, a arquitetura depende de muitas variáveis internas das empresas, mas para tal a SAP consegue atender diferentes escopos em diferentes momentos das empresas, ainda que seja conhecida a necessidade de migração dos sistemas para o S/4 Hana, sem comprometer a implementação do TMS.

Sobre as licenças

A resposta sobre qual licença optar está na operação, dependerá de quais processos e atividades pretendem-se realizar na ferramenta. 

A cadeia de suprimentos para gestão de transporte:

  • Gerenciamento de demanda: Integração com ordem de venda e remessa. Pedido e reserva de frete. Listas personalizadas de trabalho. Gestão de agendamento;
  • Planejamento de transporte: Opção de planejamento manual ou automático do transporte. Seleção de transportador conforme critérios estabelecidos. Tendering. Gestão de produtos perigosos.
  • Execução de transporte: Integração com EWM. Execução logística. Monitoramento e rastreamento. Monitorar capacidade.
  • Liquidação de custo de frete: Gestão de acordo de frete. Gestão de cobrança e tarifa. Integração com SAP ERP S/4 Hana.
  • Análises e Relatórios: Painéis de relatórios. Relatórios flexíveis.


A abrangência do ciclo de gestão de transporte do TMS da SAP é ampla, tornando-se importante conhecer a real necessidade no negócio para fazer a melhor opção da licença para a ferramenta.



Conclusão


A evolução das soluções SAP tem sido crucial na manutenção do posicionamento da empresa como líder de mercado no segmento de software para aplicativos empresariais.  Essa evolução exige melhorias contínuas nas soluções e podem adotar diferentes, levando a incorporação das funcionalidades do LES-TRA pelo TMS e priorizando harmonizar e simplificar os processos comuns no sistema. O principal motivo desta ação: construir soluções capazes de amparar as mudanças de negócio diante de um mercado em transformação, e também estar habilitada para novas tecnologias. É uma evolução necessária, assim como os projetos de migração para o S/4 Hana. Já no que tange aos projetos: as discussões, levantamentos, planejamentos e os recursos tanto técnicos como humanos levarão esta crescente evolutiva ao seu potencial da melhor forma possível. 


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Um sistema TMS, ou Transportation Management System, é uma resposta estrutural para operações de transporte que cresceram em complexidade mais rápido do que os processos de gestão conseguiram acompanhar. Reconhece estas situações? Rotas planejadas em planilhas, fretes negociados sem histórico confiável, visibilidade de entrega dependente de ligação para o motorista e custos que sobem sem uma explicação clara são sintomas reconhecíveis por qualquer gestor de supply chain que já tentou escalar a operação logística sem processos e ferramentas adequados. Este artigo vai além da definição. Vamos mostrar o que um TMS efetivamente ajuda a organizar, como o SAP Transportation Management, ou SAP TM, opera na prática e em qual perfil de operação ele faz mais sentido. Continue a leitura! O que é TMS? Quando uma operação de transporte cresce, o aumento do volume de cargas costuma vir acompanhado de mais rotas, transportadores, contratos, modalidades de frete, exigências de entrega e necessidade de visibilidade sobre a execução. Nesse cenário, manter o controle por meio de planilhas, e-mails e processos descentralizados pode dificultar a identificação de onde estão ocorrendo perdas e quais decisões precisam ser revistas. É nesse contexto que surge o TMS, sigla para Transportation Management System, ou sistema de gerenciamento de transporte . Trata-se de uma categoria de software destinada a apoiar o planejamento, a execução, o monitoramento e a gestão financeira das operações de transporte . Na prática, um TMS ajuda a estruturar atividades como planejamento de cargas e rotas, seleção de transportadores, acompanhamento de entregas, gestão de custos de frete, conferência de cobranças e análise de desempenho logístico. A ferramenta cria uma base para que diferentes etapas da operação sejam acompanhadas a partir de informações centralizadas, regras previamente definidas e processos mais consistentes. Isso não significa que toda empresa precise necessariamente de um TMS. A aderência depende do contexto operacional, do volume movimentado, da complexidade logística, do número de transportadores, da dispersão geográfica e do nível de integração necessário. Entretanto, quando o transporte passa a envolver muitas variáveis e a gestão manual começa a limitar a capacidade de controle, uma plataforma especializada pode assumir um papel estratégico. Quais problemas de transporte um TMS ajuda a organizar? Antes de avaliar uma tecnologia, é importante compreender quais problemas estão sendo enfrentados. Afinal, a adoção de um sistema de gestão de transporte precisa estar relacionada a necessidades concretas da operação. Em empresas com estruturas mais complexas, algumas dificuldades tendem a aparecer simultaneamente. Veja os principais pontos: Falta de planejamento estruturado Planejar uma operação de transporte envolve considerar volume, peso, capacidade dos veículos, janela de entrega, restrições de rota, prazo, modalidade, disponibilidade dos transportadores, custo e nível de serviço esperado. Sim, são muitos fatores. Quando essas informações são analisadas manualmente ou ficam distribuídas entre diferentes ferramentas, decisões importantes podem depender excessivamente da experiência de determinados profissionais. Um exemplo ocorre quando uma empresa possui diversas entregas para uma mesma região, mas cada pedido é planejado separadamente. Sem mecanismos de consolidação, cargas que poderiam compartilhar o mesmo veículo podem ser expedidas individualmente, elevando o custo por embarque e reduzindo o aproveitamento da capacidade disponível. Com um TMS, essas decisões passam a ser estruturadas com base em regras, parâmetros e dados da própria operação, reduzindo a dependência de análises isoladas. Frete sem controle estruturado O custo do frete também pode se tornar difícil de administrar quando contratos, tarifas, tabelas e condições negociadas não estão centralizados. Nessas situações, a empresa pode até conhecer o valor total gasto com transporte, mas ter dificuldade para responder perguntas mais importantes: · Quanto está sendo pago por rota? · Qual transportador apresenta melhor relação entre custo e nível de serviço? · Os valores faturados correspondem ao que foi contratado? · Existem diferenças recorrentes entre o frete planejado, contratado e realizado? · Quais clientes, regiões ou modalidades concentram maior custo logístico? Sem essas respostas, o gestor perde capacidade de identificar desvios, renegociar contratos, corrigir cobranças e priorizar melhorias com base em dados. Rotas e cargas pouco eficientes Uma rota aparentemente adequada nem sempre representa a melhor decisão para toda a operação. A combinação entre distância, capacidade, prazo, restrições, concentração de entregas e custos associados pode alterar significativamente o resultado. Da mesma forma, transportar um veículo parcialmente ocupado pode ser operacionalmente possível, mas financeiramente pouco eficiente. Um TMS permite estruturar essas decisões considerando múltiplas variáveis simultaneamente. Assim, o planejamento deixa de depender apenas de uma avaliação manual e passa a utilizar regras, parâmetros e dados consolidados. Essa capacidade é especialmente relevante quando a empresa precisa consolidar remessas, combinar cargas, respeitar janelas de entrega, avaliar transportadores disponíveis e equilibrar custo com nível de serviço. Baixa visibilidade sobre as entregas Um dos maiores gargalos da gestão de transporte está no acompanhamento depois que a carga deixa a operação. Quando o status depende de telefonemas, mensagens ou atualizações manuais, a informação pode chegar tarde demais para que o gestor consiga agir. Um atraso identificado apenas depois do horário previsto de entrega, por exemplo, já limita as alternativas disponíveis. A visibilidade estruturada permite acompanhar eventos do transporte e identificar desvios durante a execução. Desse modo, o gestor pode atuar antes que uma ocorrência operacional se transforme em um problema para o cliente. Além de apoiar o acompanhamento da entrega, essa visibilidade também contribui para medir desempenho de transportadores, avaliar cumprimento de prazos, registrar ocorrências e alimentar indicadores de nível de serviço.
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